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Ataques em Cabo Delgado: Aumenta número de cidadãos que deixam Macomia em busca de melhores condições de segurança

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A vila-sede do distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado, assistiu, semana finda, a mais uma saída massiva de cidadãos, que deixaram aquela sede distrital à procura de locais seguros para viver.

 

O movimento desusado de pessoas, que embarcavam em diversas viaturas (entre transportes semi-colectivos e particulares), começou no passado dia 05 de Agosto, quarta-feira, tendo-se verificado até ao último domingo. Entretanto, se os primeiros episódios de abandono “massivo” de vila-sede de Macomia tiveram lugar após o ataque terrorista, ocorrido a 28 de Maio, os actuais são testemunhados sem que haja qualquer relato de uma nova ofensiva criminosa àquela sede distrital.

 

As fontes avançam que a saída visa, essencialmente, evitar novo sofrimento em caso de um novo ataque terrorista, tendo em conta os sucessivos ataques de que têm sido vítimas a vila-sede do distrito de Mocímboa da Praia e os Postos Administrativos de Mucojo e Chai, no distrito de Macomia. Lembre-se que centenas de cidadãos foram obrigados a pernoitar no mato, aquando do ataque terrorista no dia 28 de Maio, em Macomia, enquanto outros procuravam caminhos seguros que lhes levassem a locais “seguros”.

 

Devido à situação, muitos transportadores agravam a tarifa de transporte, chegando a cobrar quase o dobro da tarifa aplicada de Macomia à cidade de Pemba, o destino preferencial de muitos deslocados. Por seu turno, alguns proprietários de viaturas particulares, que se disponibilizavam a transportar bens dos cidadãos, aplicavam, ao seu “bel-prazer”, a tarifa para o transporte de camas, colchões, malas, entre outros bens. “Caso alguém recusasse o valor que eles queriam, procuravam outro cliente”, contou uma fonte, que deixou aquela sede distrital, este fim-de-semana.

 

Outra fonte contou à “Carta” que Macomia só ainda regista o movimento de pessoas, pelo facto de existirem alguns deslocados dos Postos Administrativos de Mucojo e Quiterajo que, neste momento, não dispõem de condições para seguirem viagem para outros pontos da província. “Se não fosse isso, eu diria que Macomia está desabitada”, rematou, um residente do bairro Nanga B, arredores da vila-sede de Macomia.

 

“Por exemplo, aqui na minha zona, só fiquei com três vizinhos. Muitas pessoas já saíram daqui. Aliás, eu só fiquei por ser homem. A minha esposa e os meus filhos foram para Pemba, este sábado”, disse uma fonte, que reside no bairro Changane, arredores da vila de Macomia.

 

Entretanto, se alguns saem com promessa de abrigo, outros saem entregues à sua própria sorte, facto que faz com que alguns residentes daquele ponto do país continuem adiando a sua partida da sede distrital de Macomia.

 

Refira-se que, para além de alguns cidadãos, na sua maioria oriundos dos Postos Administrativos de Mucojo e Quiterajo, a vila-sede de Macomia conta com a presença de membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS), tidos como os “únicos” representantes do Estado, pois, os outros serviços encontram-se encerrados, devido ao ambiente de insegurança que se vive naquela região país.

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